Práticas Pedagógicas: Entrevista e Questionário

INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa fazer uma abordagem em torno da entrevista e questionário. Diante destes aspectos trataremos dos seus tipos e formas, bem como de outros aspectos relevantes. Embora nem todos os projectos de pesquisa utilizem o questionário como instrumento de recolha e avaliação de dados, este é muito importante na pesquisa científica, especialmente nas ciências da educação. Construir questionários não é, contudo, uma tarefa fácil, mas aplicar algum tempo e esforço na sua construção pode ser um factor favorável no “crescimento” de qualquer investigador. A maior parte do que se sabe a respeito da elaboração de questionários decorre da experiência. Por consequência boa parte do que se dispõe nesse domínio é constituída por receitas baseadas no senso comum, sem maior apoio em provas científicas rigorosas ou em teorias. Pode-se, no entanto, determinar alguns aspectos que devem ser observados na elaboração dos questionários de pesquisa e por outro lado, todas as entrevistas se dirigem para algum lugar, pois antes da realização da colecta temos um objectivo de pesquisa que dirige nossa busca.

METODOLOGIA
Para a elaboração do presente trabalho de pesquisa baseou-se em consultas bibliográficas e internet.
OBJECTIVOS
GERAL
• Compreender o uso de entrevistas e questionários num trabalho de pesquisa.

ESPECÍFICOS
• Identificar os conceitos básicos em relação a entrevista e questionários;
• Distinguir os tipos e formas de entrevistas e questionários.

CAPÍTULO I
1. A ENTREVISTA

Moser e Kalton (1971), apud Bell (1993: 137-138), definem a entrevista como uma conversa entre um entrevistador e um entrevistado que tem o objectivo de extrair determinada informação do entrevistado. Isto é, afirmam estes autores, que pode parecer uma questão muito simples, mas sair com êxito de uma entrevista é muito mais complicado do que esta afirmação sugere.
1.1. TIPOS DE ENTREVISTAS

Segundo Manzini (2004) existem três tipos de entrevistas:
• Estruturada
• Semi-estruturada
• Não-estruturada

1.1.1. Entrevista estruturada
É aquela que contém perguntas fechadas, semelhantes a formulários, sem apresentar flexibilidade e o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido. Não é permitido adaptar as perguntas a determinada situação, inverter a ordem ou elaborar outras perguntas.

1.1.2. Entrevista Semi-estruturada
É direccionada por um roteiro previamente elaborado, composto geralmente por questões abertas.
Para Triviños (1987:146) a entrevista semi-estruturada tem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Os questionamentos dariam frutos a novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes. O foco principal seria colocado pelo investigador-entrevistador. Complementa o autor, afirmando que a entrevista semi-estruturada “…favorece não só a descrição dos fenómenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade…” além de manter a presença consciente e actuante do pesquisador no processo de colecta de informações (TRIVIÑOS, 1987, p. 152).
Para Manzini (1990/1991:154), a entrevista semi-estruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista. Para o autor, esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a uma padronização de alternativas.
1.1.3. Entrevista não-estruturada
É aquela que oferece ampla liberdade na formulação de perguntas e na intervenção da fala do entrevistado. O entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direcção e permite explorar mais amplamente uma questão.

1.2. FORMAS DE ENTREVISTA

• Entrevista Narrativa: pesquisador estimula o entrevistado para conversar abertamente. Através da narração o entrevistado reconstrui seu comportamento no passado de forma real. O ambiente da entrevista é cordial e amigável.
• Entrevista centrada a problemas: pesquisador pergunta baseado em um conceito teórico flexível. A base da entrevista é um guia de temas e problemas que orienta a sua execução.
• Entrevista Profunda: o objectivo é obter informações das estruturas profundas do entrevistado (informações inconscientes). A base teórica da entrevista é a psicanálise.
• Entrevista Receptiva: é uma entrevista aberta e realizada de forma unilateral. Exige do entrevistador grande capacidade de comunicação não verbal.
• Entrevista Focalizada: pesquisador pretende verificar suas hipóteses sobre um comportamento concreto do entrevistado
CAPÍTULO II
2. QUESTIONÁRIO
O questionário, segundo Gil (1999:128), pode ser definido “como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objectivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.”.
Um questionário é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Para tal, coloca-se uma série de questões que abrangem um tema de interesse para os investigadores, não havendo interacção directa entre estes e os inquiridos.
2.1. TIPOS DE QUESTÕES
Inicialmente, as perguntas podem ser classificadas em perguntas abertas e em perguntas fechadas.
2.1.1. Perguntas abertas
São aquelas que permitem liberdade ilimitada de respostas ao informante. Nelas poderá ser utilizada linguagem própria do respondente. Elas trazem a vantagem de não haver influência das respostas pré-estabelecidas pelo pesquisador, pois o informante escreverá aquilo que lhe vier à mente.
Uma das dificuldades das perguntas abertas é também encontrada no facto de haver liberdade de escrita: o informante terá que ter habilidade de escrita, de formatação e de construção do raciocínio.
2.1.2. Perguntas fechadas
Trazem alternativas específicas para que o informante escolha uma delas. Têm como aspecto negativo a limitação das possibilidades de respostas, restringindo, pois, as possibilidades de manifestação do interrogado.
Elas poderão ser de múltipla escolha ou apenas dicotómicas (trazendo apenas duas opções, a exemplo de: sim ou não; favorável ou contrário).
O questionário poderá, ainda, ter questões dependentes: dependo da resposta dada a uma questão, o investigado passará a responder uma ou outra pergunta, havendo perguntas que apenas serão respondidas se uma anterior tiver determinada resposta.
Como dito inicialmente, o questionário pode buscar resposta a diversos aspectos da realidade. As perguntas, assim, poderão ter, segundo ensina Gil (1999:132), conteúdo sobre fatos, atitudes, comportamentos, sentimentos, padrões de acção, comportamento presente ou passado, entre outros.
Um mesmo questionário poderá abordar diversos desses pontos. Singularmente importante é o momento de formulação das questões. Gil (1999) destaca o seguinte:
• As perguntas devem ser formuladas de maneira clara, concreta e precisa;
• Deve-se levar em consideração o sistema de preferência do interrogado, bem como o seu nível de informação;
• A pergunta deve possibilitar uma única interpretação;
• A pergunta não deve sugerir respostas;
• As perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez.
2.2. TIPOS DE QUESTIONÁRIOS
A aplicação de um questionário permite recolher uma amostra dos conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos. Deste modo é importante ter em conta o que se quer e como se vai avaliar, devendo haver rigor na selecção do tipo de questionário a aplicar de modo a aumentar a credibilidade do mesmo.
Existem três tipos de questionários:
• Questionário aberto
• Questionário Fechado
• Questionário Misto
2.2.1. Questionário do tipo aberto

É aquele que utiliza questões de resposta aberta. Este tipo de questionário proporciona respostas de maior profundidade, ou seja dá ao sujeito uma maior liberdade de resposta, podendo esta ser redigida pelo próprio. No entanto a interpretação e o resumo deste tipo de questionário é mais difícil dado que se pode obter um variado tipo de respostas, dependendo da pessoa que responde ao questionário.
2.2.2. Questionário do tipo fechado

Tem na sua construção questões de resposta fechada, permitindo obter respostas que possibilitam a comparação com outros instrumentos de recolha de dados. Este tipo de questionário facilita o tratamento e análise da informação, exigindo menos tempo. Por outro lado a aplicação deste tipo de questionários pode não ser vantajoso, pois facilita a resposta para um sujeito que não saberia ou que poderia ter dificuldade acrescida em responder a uma determinada questão. Os questionários fechados são bastante objectivos e requerem um menor esforço por parte dos sujeitos aos quais é aplicado.
2.2.3. Questionários de tipo misto

O outro tipo de questionário que pode ser aplicado, tal como já fora dito, são os questionários de tipo misto, que tal como o nome indica são questionários que apresentam questões de diferentes tipos: resposta aberta e resposta fechada.
2.3. UTILIDADE E IMPORTÂNCIA DOS QUESTIONÁRIOS
Um questionário é extremamente útil quando um investigador pretende recolher informação sobre um determinado tema. Deste modo, através da aplicação de um questionário a um público-alvo constituído, por exemplo, de alunos, é possível recolher informações que permitam conhecer melhor as suas lacunas, bem como melhorar as metodologias de ensino podendo, deste modo, individualizar o ensino quando necessário.
A importância dos questionários passa também pela facilidade com que se interroga um elevado número de pessoas, num espaço de tempo relativamente curto.
Estes podem ser de natureza social, económica, familiar, profissional, relativos às suas opiniões, à atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, etc.
2.4. APRESENTAÇÃO DO QUESTIONÁRIO

A construção de um questionário, deve obedecer a três critérios fundamentais: clareza e rigor na apresentação, bem como comodidade para o inquirido. Deste modo, o investigador deve ter em consideração, e como ponto de partida, o tema em estudo, o qual deve ser apresentado de uma forma clara e simplista, assim como a disposição gráfica do questionário, qualidade e cor do papel, que devem ser, também eles, adequados ao público-alvo. O investigador deve ter o cuidado de não utilizar, por exemplo, tabelas, ou quadros ou algum tipo de gráfico, quando o público-alvo não está familiarizado com esse tipo de informação.
Deve ainda, o investigador, reduzir o número de folhas constituintes do questionário, tanto quanto possível, uma vez que este facto pode, eventualmente, provocar algum tipo de reacção prévia negativa por parte do inquirido.
Antes de administrar o questionário, o investigador deve proceder a uma revisão gráfica pormenorizada daquele, de modo a evitar erros ortográficos, gramaticais ou de sintaxe, que tanto pode provocar erros ou induções nas respostas dos inquiridos, como pode fazer baixar a credibilidade do questionário por parte destes.

3. CONCLUSÃO

Com este trabalho de pesquisa, concluímos que são muitos os métodos utilizados para a colecta de dados em pesquisas. O uso de entrevistas é uma das opções mais frequentes e apresenta inúmeros caminhos e cuidados, devendo ser reconhecido como um método de qualidade para a colecta de dados. Entretanto, abordar mais de um recurso permite novos caminhos, reforçando aspectos qualitativos da pesquisa sem perder a fidedignidade.
Todo pesquisador deve sempre considerar o valor de inovar, de procurar e adequar novas estratégias de pesquisa de campo, não se atendo a textos escritos na busca por respostas. Dependendo do tipo de método utilizado na colecta haverá meios de reflexão diferentes.
Dado este cenário, o que se busca sempre em uma pesquisa feita a partir da elaboração de um questionário de perguntas geralmente é algo que possui um nível de complexidade desejável aliado a um período de tempo reduzido para execução da actividade de interesse. Ou seja, o objectivo maior de construção de um questionário para colecta de dados é ter informações que podem ser comparadas de forma consistente ao final da pesquisa.

4. BIBLIOGRAFIA

• BELL, J. Como realizar um projecto de investigação, Lisboa, Gradiva, 1993.
• DESHAIES, B. Metodologia da investigação em ciências humanas. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.
• GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
• MANZINI, E. J. A entrevista na pesquisa social. Didática, São Paulo, 1990/1991.
• MANZINI, E. J. Entrevista: definição e classificação. Marília: Unesp, 2004.
• TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Question%C3%A1rio (Consultado no dia 31 de Agosto ás 15:25)
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/metinvII/entrevista.pdf (Consultado no dia 31 de Agosto ás 15:45)
http://www.nodo50.org/sindpitagoras/Likert.htm (Consultado no dia 31 de Agosto ás 15:10)

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Author: O Exame

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