MURRAY E A TEORIA DAS NECESSIDADES PSICOLÓGICAS

Murray vai considerar que só a análise aprofundada do indivíduo, enquanto pessoa, pode conduzir ao estudo e conhecimento da personalidade. O carácter único da personalidade leva-o ao estudo aprofundado de casos individuais. Para isso, recorrem a vários meios: analise de dados biográficos pormenorizados, observação directa do comportamento dos sujeitos, entrevistas efectuadas por diversos investigadores. Para estudar a vida do indivíduo, eram analisados vários itens: o desenvolvimento na infância, as experiências e recordações mais significativas, a história escolar do indivíduo, as suas relações familiares e escolares, o desenvolvimento sexual, as capacidades e interesses, os valores éticos e estéticos perfilhados. Na sua teoria, que o autor designa por personalogia, destacam-se dois conceitos: necessidades e pressão.

 

NECESSIDADES

A necessidade é uma força que pode ter origem no interior ou no exterior da pessoa, organiza e orienta os mais diferentes processos psicológicos: a memória, o pensamento, a percepção, a acção. Isto é, as necessidades organizam o modo como as pessoas percebem, sentem, pensam, recordam e se comportam. Murray identificou 12 necessidades viscerogénicas, isto é, primárias ou orgânicas e 18 necessidades psicogénicas, secundárias ou psíquicas. As primeiras estão relacionadas com a sobrevivência: necessidade de ar, de oxigénio, de alimento, etc. As necessidades psicogénicas, que derivam das necessidades primárias ou orgânicas, podem em determinados momentos, inclusive, superá-las. Isto significa que nem todas as pessoas vivem as necessidades do mesmo modo: há necessidades que podem dominar a vida de uma pessoa e ser só relativamente sentidas por outras. Murray considerou que certas necessidades se manifestam abertamente dado serem aceites pela sociedade. Designa-as por necessidades abertas. Outras necessidades não se podem exprimir em determinado contexto sociocultural, sendo reprimidas, inibidas. São o que designa por necessidades latentes que, mantendo-se inconscientes, se manifestam nos sonhos, nas fantasias, em sintomas neuróticos, etc. Nalguns casos, as necessidades fundem-se, realizando-se na mesma actividade ou objecto. Contudo, é frequente surgir um conflito quando duas necessidades apresentam forças iguais ou semelhantes, originando assim um estado de tensão.

 

PRESSÃO

Intimamente relacionado com o conceito de necessidade está o de pressão. A pressão pode ter origem num objecto ou pessoa do meio que facilita ou dificulta a satisfação de uma necessidade. As necessidades exprimem-se num determinado meio ambiente, num contexto que bloqueia ou permite a concretização de uma necessidade. Murray designa por tema-unidade o padrão psicológico do indivíduo, que resulta da forma como ele organiza as relações entre as suas necessidades e o contexto em que vive. É o tema-unidade que dá continuidade à sua personalidade.

 

O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE

A personalidade de uma pessoa é produto quer do seu passado – a sua história de vida – , quer dos objectivos que aponta para o futuro. Murray considera que a primeira infância tem um papel fundamental na formação da personalidade: distingue cinco estádios que deixariam marcas na personalidade sob a forma de complexos influenciando de modo decisivo o desenvolvimento normal do indivíduo. A teoria de Murray sobre a personalidade reflecte a influência da psicanálise e das teorias humanistas, destacando-se o carácter interactivo e dinâmico das suas concepções. Alguns críticos apontam a ausência de estudos empíricos que fundamentem a sua teoria. Uma das aplicações mais conhecidas da teoria das necessidades é na construção do TAT, que é um dos testes projectivos mais utilizados em que se pretende a apreensão e interpretação dos aspectos menos visíveis da personalidade: fantasias, desejos, conflitos…

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Author: O Exame

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