Desenvolvimento Moral sobre a perspectiva de Skinner e Eiserberg

 

1.      INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho tem como objectivo apresentar uma visão a volta do Desenvolvimento Moral sobre a perspectiva de Skinner e Eiserberg, bem como a análise comparativa dos vários teóricos do desenvolvimento.

Podemos nos referir inicialmente que a moral está relacionado aos aspectos da vida prática e pode ser observada, nos diferentes tipos de organização humana, sobre o comportamento e o juízo moral.

Em inúmeras situações o sujeito tem que escolher entre várias opções de conduta, e geralmente decide baseado em normas estabelecidas, que podem ser explicitadas ou não. A acção está sujeita a um juízo moral, e ambos, acção e juízo, pressupõem normas orientadoras. O termo desenvolvimento moral está afecto a psicologia estando associada aos esforços na construção de modelos teóricos que possam encontrar uma explicação adequada dos processos que orientam e definem a adopção de valores individuais nas diversas esferas da actividade humana.

 2.      DESENVOLVIMENTO MORAL

 2.1.Na perspectiva de sKINNER

Primeiro realçar que Skinner critica o conceito de desenvolvimento como evolução direccionada à perfeição de espécies, indivíduos e culturas. Nesse conceito, evolução significa mudança temporalmente sequenciada de formas ou estruturas, o que equivale a dizer que as espécies, os indivíduos e as culturas avançam por estágios e que as formas posteriores originam-se das anteriores. O aspecto direccional da evolução significa que há um princípio predeterminando o desdobrar de uma sequência fixa de estruturas e que esse princípio é a perfeição. Portanto, incorpora-se na direccionalidade evolutiva a metáfora do crescimento para a perfeição, que é vista como maturidade. É essa metáfora com fundamentos botânicos que legitima expressões como estágios fixos de desenvolvimento, crescimento, progresso, maturidade e perfeição, expressões que Skinner não aceita.

Skinner (1971) defende que não só a velocidade mas também a ordem de estágios de desenvolvimento de crianças, de indivíduos e de culturas dependem das contingências de reforço e que não tem sentido argumentar que o amadurecimento do indivíduo seja algo desejável em toda sua extensão.

Skinner (1971) desvincula a metáfora do crescimento dos conceitos de evolução e direcção evolutiva. Seja no caso das espécies ou das culturas, não aceita a metáfora do crescimento ou a ideia darwinista de desenvolvimento para a perfeição, porque em ambos os casos pode-se constatar o mau êxito (é o caso de espécies e culturas extintas). Skinner aceita porém a ideia de que a evolução das espécies, dos indivíduos e das culturas tem uma direcção: por exemplo, o aparecimento de estruturas mais complexas, uma maior sensibilidade a estímulos, uma utilização mais efectiva de energia e, principalmente, a progressiva sensibilidade dos organismos e das pessoas às consequências de suas acções. O importante, nesse momento, é enfatizar que, embora essa progressiva sensibilidade não signifique evolução dirigida à perfeição, ela é fundamental porque é ela que torna possível o engajamento de indivíduos no bem da cultura.

Pode-se interpretar a defesa do valor de sobrevivência das culturas por Skinner (1971, 1978) como a escolha de um bem com condições de controlar as tendências imediatistas da natureza e de ensinar os indivíduos a esperarem por consequências positivas postergadas – duas condições necessárias para definir e salvar as culturas. O valor de sobrevivência das culturas tem condições de realizar esse objectivo porque refere-se ao futuro, a um tempo, portanto, que está bem além do tempo de vida do indivíduo, sendo assim, não pode funcionar como reforçador condicionado ou como um mediador entre os comportamentos que promovem a sobrevivência das culturas e reforçadores primários pelos quais poderia ser trocado. Ou seja, não é um reforçador condicionado e, consequentemente, não pode ser trocado por bens pessoais. Obviamente, o valor de sobrevivência das culturas não é também um reforçador primário. Logo, se o indivíduo se comporta em função de uma consequência que não vai usufruir e que não é um reforçador primário ou um reforçador condicionado, então deixam a cena o imediatismo da natureza e as acções em defesa de bens pessoais. Em suma, o valor de sobrevivência das culturas não se inscreve na ordem vital dos bens pessoais e dos bens dos outros: é um bem da cultura e trata-se, portanto, de um valor que pode “não ter desempenhado qualquer papel na evolução física das espécies” (Skinner, 1971, p. 143).

O valor de sobrevivência das culturas só vem fortalecer a noção de que a característica básica de reforçadores é seu poder de fortalecer o comportamento, onde reforçadores naturais e derivados representam tão-somente um caso específico. É nesse sentido que solicitar razões para a defesa do valor de sobrevivência só tem, nas palavras de Skinner, uma resposta honesta: “Não há nenhuma boa razão (…), mas se sua cultura não o convenceu de que há, tanto pior para ela” (p. 137).

Com o valor de sobrevivência das culturas, Skinner (1978) adopta definitivamente o ponto de vista moral e evita reduzir a moralidade à prudência ou o bem moral ao bem prudencial. O ponto de vista prudencial é associado com o egoísmo ético e é conflituante com a moralidade. De acordo com o egoísmo ético, as pessoas colocam os interesses privados acima dos públicos e mesmo quando agem em prol dos últimos só o fazem por motivos pessoais, ou seja, na melhor das hipóteses todo altruísmo é interessado. Skinner (1971) defende um equilíbrio entre os bens pessoais (interesses privados) e os bens dos outros (interesse público). Na verdade, é esse equilíbrio que ele chama de justiça. Com esse conceito, Skinner (1971) evita o pior tipo de egoísmo ético, aquele que sequer respeita o interesse público, bem como condena dois tipos de consequências resultantes do desequilíbrio entre os interesses públicos e privados. Ele comenta que, quando as agências de controle desequilibram além de limites suportáveis e a seu favor a relação entre os bens pessoais obtidos pelo indivíduo e os bens que elas recebem, o indivíduo busca refúgio em reforçadores imediatos e torna-se amoral, vazio, incapaz de sentir prazer, desamparado, excluído, descrente e sem ideais para defender, descambando para um individualismo tão condenável quanto o sistema explorador que o conduziu a essa condição.

Se Skinner (1971) houvesse concluído sua discussão sobre o ponto de vista moral buscando um equilíbrio entre bens pessoais e os bens dos outros, sua posição já seria interessante da perspectiva daqueles que buscam na cultura pós-filosófica. No entanto, Skinner observa que sua reflexão com base apenas nesses dois valores ficaria incompleta – especialmente para justificar porque alguém deveria se preocupar com valores como justiça – se não considerasse o valor de sobrevivência das culturas. Skinner abandona, portanto, qualquer compromisso com o ponto de vista prudencial e, por implicação, pode-se dizer que passa a defender o altruísmo puro. Sem dúvida trata-se de uma obrigação que exige autocontrole, porque a sobrevivência das culturas é uma consequência provavelmente muito remota para que os que se esforçam por ela possam desfrutá-la. Pode, no entanto, contribuir para esse esforço ou para esse autocontrole a direccionalidade do desenvolvimento humano que, como defendeu Skinner, tem acentuado a progressiva sensibilidade das pessoas às consequências de suas acções e isso significa o aprimoramento da capacidade de esperar por consequências reforçadoras remotas, tão remotas que talvez não se viva o suficiente para usufruí-las.

2.2.Na perspectiva de eisenberg

Segundo Eisenberg, o desenvolvimento moral pro-social do indivíduo diz respeito ao processo de aquisição e mudança dos julgamentos e comportamentos de ajuda ou benefício dirigidos a outros indivíduos ou grupos. São acções e ou julgamentos voluntários e definidos em termos de suas consequências positivas.

A forma e o conteúdo de actos e pensamentos de compartilhar e ajudar aparecem e se modificam no decorrer da vida, em função da presença e da interacção de factores do desenvolvimento humano tais como idade, características de personalidade, motivações, habilidades e condições situacionais. A Psicologia do Desenvolvimento, contudo, mostra que essa temática vem sendo problematizada, mesmo que indirectamente, por teorias que apresentam conceitos explicativos do desenvolvimento moral e que incluem aspectos pro-sociais em suas análises.

Actualmente, no estudo da pro-sociabilidade destaca-se a contribuição de Eisenbergque desenvolveu um modelo teórico e uma metodologia de avaliação desse aspecto da moralidade. Os estudiosos do desenvolvimento moral até a proposição de Eisenberg vinham se dedicando a investigar, principalmente, o julgamento e o comportamento de transgressão. Agressão, desonestidade, incapacidade de resistir à tentação e outros comportamentos considerados socialmente indesejáveis eram o principal foco da atenção dos teóricos da moralidade.

 Eisenberg modificou essa situação, produzindo um novo enfoque no estudo da moralidade, o modelo teve como base empírica entrevistas que incluem questões sobre dilemas morais concernentes a acções pro-sociais e conflitos entre os desejos de dois indivíduos – o potencial benfeitor e o potencial receptor de ajuda.

 

  

 

3.      Análise comparativa dos vários teóricos do desenvolvimento moral

 

Kohlberg

Piaget

Skinner

Freud

Eisenberg

 

Kholberg desenvolveu os estádios do raciocínio moral que os subdividiu em 6 níveis, que são:

 

Estádio da moralidade pré – convencional (níveis 1 e 2) que evita a condenação ou punição. Em contrapartida obtém recompensas, procurando fazer para agradar;

 

Estádio da moralidade convencional (níveis 3 e 4) que obtém a aprovação e evita a censura dos outros. É definido por códigos rígidos de “lei e ordem”;

 

Estádio da moralidade pós – convencional (níveis 5 e 6) que é definida por um contrato social aprovado por todos para o bem público. Baseia – se em princípios éticos abstractos que determinam o código moral pessoal.

 

 

 

 

 

 

 

O desenvolvimento cognitivo resulta da interacção entre as estruturas mentais e os eventos do ambiente, apresentando-se como uma sequência de estágios hierárquicos e invariantes.

Utilizando-se de uma metodologia de pesquisa sobre as regras do jogo de criança levam-no propor um modelo de desenvolvimento moral que vai da Anomia (crianças até os 4/5 anos de idade), onde as regras nãos são compreendidas, passa para Heteronomia (crianças de 4/5 aos 9/10 anos), onde indivíduo está subordinado as regras do jogo, pois entende que elas são imutáveis. Nesta fase a regras advêm de pessoas mais velhas, a autoridade é outra pessoas ou sistemas de regras que não muda e finalmente a Autonomia Moral (Indivíduo de 9/10 anos em diante), mais afecta aos adultos, é produto mais refinado da socialização, dentro da qual, por meio da vontade, o indivíduo estabelece fins prioritários a longo prazo, ou seja, constrói o projecto de vida. Pode-se falar na formação da personalidade, no sentido, a partir do momento em que o indivíduo elabora um projecto de vida, quando ele encarna um ideal. A personalidade autónoma é o produto mais refinado da socialização porque é somente em uma relação de respeito mútuo entre personalidades autónomas que é possível, simultaneamente, a diversidade e a igualdade. O progresso de Heteronomia para Autonomia não é automática, passa pelo desenvolvimento cognitivo.

 

Skinner critica o conceito de desenvolvimento como evolução direccionada à perfeição de espécies, indivíduos e culturas. Os estágios de desenvolvimento de crianças, de indivíduos e de culturas dependem das contingências de reforço e que não tem sentido argumentar que o amadurecimento do indivíduo seja algo desejável em toda sua extensão.

 

Com o valor de sobrevivência das culturas, Skinner (1978) adopta definitivamente o ponto de vista moral. Defende um equilíbrio entre os bens pessoais (interesses privados) e os bens dos outros (interesse público).

Ele comenta que, quando as agências de controle desequilibram além de limites suportáveis e a seu favor a relação entre os bens pessoais obtidos pelo indivíduo e os bens que elas recebem, o indivíduo busca refúgio em reforçadores imediatos e torna-se amoral, vazio, incapaz de sentir prazer, desamparado, excluído, descrente e sem ideais para defender, descambando para um individualismo tão condenável quanto o sistema explorador que o conduziu a essa condição.

 

Segundo Freud na teoria psicanalítica clássica, portanto, o comportamento humano é instigado amplamente pela auto-gratificação. As pulsões e a culpa são os principais determinantes do pensamento e do comportamento, incluindo-se aí a consciência social, o senso de justiça e as acções morais.

Tem-se um conjunto de impulsos que devem ser continuamente controlados e subordinados. Portanto, o papel fundamental na tradição é dado à natureza. A criança deve vir a ser capaz de controlar e auto-reprimir os sentimentos eróticos e hostis.

 

Investiga a moralidade em funções de acções pro-sociais como comportamentos de ajuda.

A forma e o conteúdo de actos e pensamentos de compartilhar e ajudar aparecem e se modificam no decorrer da vida, em função da presença e da interacção de factores do desenvolvimento humano tais como idade, características de personalidade, motivações, habilidades e condições situacionais.

 

 

 

 4.      CONCLUSÃO

 A partir deste trabalho de pesquisa, concluímos que o modelo teórico de Eisenberg consiste no pressuposto básico de que o desenvolvimento é limitado pelo nível de complexidade da cognição do indivíduo com relação ao fenómeno social. Na visão de Kohlberg, os indivíduos que apresentam baixo ou moderado nível de funcionamento lógico ou cognitivo, frequentemente em virtude de sua pouca idade e desenvolvimento incompleto, não são capazes de entender ou utilizar níveis de julgamento moral mais elevados. No domínio do raciocínio moral pro-social as crianças são, claramente, incapazes de expressar altos níveis de raciocínio moral pro-social.

Por outro lado a abordagem psicanalítica introduz o conceito de identificação, que explica o desenvolvimento do superego, tanto no que diz respeito ao senso de culpa e à vergonha, como ao ego ideal do ser humano. A identificação possibilita que o indivíduo internalize valores humanos e incorpore as proibições parentais e sociais, definindo a adesão a padrões de comportamento pro-social.

 

  

 5.      BIBLIOGRAFIA

 

 

 

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Author: O Exame

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