Conceito de aprendizagem para o Behaviorismo


BEHAVIORISMO

O termo Behaviorismo foi utilizado inicialmente em 1913 em um artigo denominado “Psicologia: como os behavioristas a vêem” por John Broadus Watson. “Behavior” significa “comportamento” e ele definiu como: “Um ramo experimental e puramente objectivo da ciência natural. A sua meta é a previsão e controle do comportamento…”. Ele postulava o comportamento como objecto da Psicologia.

Segundo Graham (2007), o behaviorismo é uma doutrina que entende a psicologia como ciência do comportamento e não da mente. Nessa perspectiva, o comportamento é explicado sem referência a eventos mentais, pois estes podem ser traduzidos em conceitos comportamentais.

Segundo Graham (2007), o behaviorismo é uma doutrina que entende a psicologia como ciência do comportamento e não da mente. Nessa perspectiva, o comportamento é explicado sem referência a eventos mentais, pois estes podem ser traduzidos em conceitos comportamentais.

  1. EDWARD LEE THORNDIKE (1874/1949) foi o pioneiro das tentativas para compreender a aprendizagem dos animais através da realização de experimentos. Para ele, aprender consistia em estabelecer uma conexão entre uma resposta e a produção de situação agradável e que a repetição de um ato que causava um resultado agradável, aumentava a probabilidade de ocorrência deste ato – era a Lei do Efeito.

Thorndike Fez da aprendizagem, particularmente a aprendizagem por
consequências recompensadoras, um conceito central da psicologia, estabelecendo assim, os princípios  que dariam base ao condicionamento operante de Skinner.

 

  1. Ivan Pavlov formulou sua teoria do reflexo no início do século XX. Sua hipótese fundamental tem três aspectos indissociáveis:
  • a espécie animal responde aos estímulos do ambiente de forma incondicionada;
  • é possível condicionar a resposta a partir de estímulos neutros, modificando o comportamento incondicionado;
  • os estímulos neutros passam a ser estímulos condicionados.

O experimento de Pavlov consistiu em condicionar um cão que ao ver o alimento e posteriormente ao ouvir o som de uma campainha, salivava. A simples ideia da carne já provocava no cão uma reacção orgânica que era visível através da salivação, fortalecendo assim, a ideia de que era possível condicionar o comportamento animal e posteriormente o humano.

  1. B. Watson foi o iniciador da escola behaviorista, considerou a pesquisa animal a única verdadeira por ser extrospectiva e não mentalista. Com Watson, a Psicologia mudou seu foco, da consciência, dos fenómenos psíquicos, para o comportamento e dados observáveis e verificáveis.

Watson sofreu influência da filosofia empírica de John Locke e da psicologia fisiológica de Ivan Pavlov, de quem aceitou o condicionamento clássico para explicar a aprendizagem, admitindo que nascemos com certas conexões de estímulo-resposta chamados reflexos.

Segundo Milhollan e Bill (1978: 30), o Behaviorismo derivou-se de dois grandes movimentos:

1- A crítica ao racionalismo cartesiano – teoria que atribui à Razão humana a capacidade exclusiva de conhecer e de estabelecer a Verdade. Opõe-se ao empirismo, colocando a Razão independente da experiência sensível, ou seja, rejeita toda intervenção de sentimentos, somente a Razão é válida.

2- O surgimento da teoria positivista da ciência – do filósofo francês Augusto Comte (1789-1857). A teoria behaviorista também é chamada de comportamentalismo ou condutismo. A postulação de Watson decorreu em função dos estudos experimentais sobre o comportamento reflexo efectuados por Ivan Pavlov e dava à psicologia a consistência que os psicólogos da época vinham buscando, ou seja, a Psicologia tinha um objecto mensurável e observável para estudar e os experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes sujeitos e condições. Tais possibilidades foram importantes para que a Psicologia alcançasse o status de ciência.

As principais vertentes do pensamento behaviorista são a corrente Metodológica (Watson) e a Radical (Skinner).

John Broadus Watson (1878-1958)

Watson foi o primeiro representante do ambientalismo, lançou o behaviorismo e transformou o estudo da aprendizagem em um processo pelo qual a conduta de um organismo muda como resultado da experiência.

Watson afirmou que não há limite para o efeito do ambiente sobre a natureza humana. Sob a influência do positivismo, rejeita a consciência e o subjectivismo e considera que a matéria de interesse da psicologia é o comportamento humano, defendendo, a pesquisa experimental.

Watson considera ilógico qualquer tipo de introspecção e propõe, por analogia com a medicina, a química e a física, a abolição do vocabulário científico de termos; tais como “sensação, percepção, imagem, desejo, propósito, e até pensamento e emoção conquanto definidos de forma subjectiva”. O behaviorismo, na concepção de Watson, se limita a formular leis sobre os fenómenos observáveis – os comportamentos.

Diz Watson (1930, p.6):

Nós podemos observar o comportamento o que o organismo diz ou faz. E vamos deixar claro de uma vez, que falar é fazer – isto é, comportamento. Falar abertamente ou para nós mesmos (pensar) é um tipo de comportamento tão objectivo como jogar basebol”.

Os comportamentos são explicados em termos de estímulos e respostas. O estímulo é definido por Watson, como “qualquer objecto no ambiente geral ou qualquer mudança no organismo devido a condições fisiológicas”, como a fome, por exemplo. A resposta é “qualquer coisa que o indivíduo faz”.

Watson (1930, p.225) define língua, apesar de reconhecer suas complexidades, como um tipo simples de comportamento, um hábito manipulável, e considera a sua aprendizagem como uma questão de condicionamento: “depois que as respostas verbais condicionadas estão parcialmente estabelecidas, hábitos frasais e períodos começam a se formar”.

Watson explica que alguns hábitos são formados em determinados períodos da vida e que adultos aprendendo uma língua estrangeira terão sotaque porque a laringe sofre uma mudança estrutural na adolescência.

O principal pressuposto da teoria é que a aprendizagem em geral é sinónimo de formação de hábitos e seus princípios são:

  • a aprendizagem acontece através da repetição a estímulos;
  • os reforços positivos e negativos têm influência fundamental para a formação dos hábitos desejados;
  • a aprendizagem ocorre melhor se as actividades forem graduadas.

 

Depois de Watson, Skinner é o mais importante dos behavioristas.

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990)

Nenhum pensador ou cientista do século XX levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como o norte-americano Burrhus Frederic Skinner.

Na década de 40, Skinner sistematiza o Behaviorismo Radical, como proposta para o entendimento sobre o comportamento do homem. O autor foi completamente contra as causas internas mentais para compreender ou explicar o comportamento humano.

Skinner opõe-se a Watson, que só não desdobrava suas pesquisas aos fenómenos mentais pelas limitações metodológicas e não por serem irreais. Skinner defendia, que o homem era um ser homogéneo, não acreditando na constituição humana como junção do corpo e mente.

A aprendizagem para Skinner é fruto de condicionamento operante, ou seja, um comportamento é premiado, reforçado, até que ele seja condicionado de tal forma que ao se retirar o reforço o comportamento continue a acontecer.

Como lembra Bock (2003, p. 13), “o condicionamento exclui qualquer consideração sobre pensamentos, sentimentos, intenções, em geral, nos processos mentais ligeiros, e se preocupa, exclusivamente, com causas completamente externas à mente e passíveis de observação”.

A teoria de Skinner apoia-se na ideia de que o aprendizado tem a função de mudança no comportamento manifesto. O condicionamento operante é baseado na lei do efeito de Thorndike, segundo a qual o comportamento que produz bons efeitos tende a se tornar mais frequente, enquanto que o comportamento que produz maus efeitos tende a se tornar menos frequente.

As mudanças no comportamento são o resultado de uma resposta individual a eventos (estímulos) que ocorrem no meio. Quando um padrão particular Estímulo-Resposta (S-R) é reforçado (recompensado), o indivíduo é condicionado a reagir.

O condicionamento operante é um mecanismo de aprendizagem de novo comportamento – um processo que Skinner chamou de modelagem. O instrumento fundamental de modelagem é o reforço.

Um reforço é qualquer coisa que fortaleça a resposta desejada. Pode ser um elogio, uma boa nota, ou um sentimento de realização ou satisfação crescente. A teoria também cobre reforços negativos – uma acção que evita uma consequência indesejada.

No livro Tecnologia do Ensino, de 1968, o cientista desenvolveu o que chamou de máquinas de aprendizagem, que nada mais eram do que a organização de material didáctico de maneira que o aluno pudesse utilizar sozinho, recebendo estímulos à medida que avançava no conhecimento. Grande parte dos estímulos se baseava na satisfação de dar respostas correctas aos exercícios propostos.

Skinner considerava o sistema escolar predominante um fracasso por se basear na presença obrigatória, sob pena de punição. Ele defendia que se dessem aos alunos “razões positivas” para estudar, como prémios aos que se destacassem.

Princípios do Condicionamento Operante:

  1. Comportamento que é positivamente reforçado vai acontecer novamente. Reforço intermitente é particularmente efectivo.
  2. As informações devem ser apresentadas em pequenas quantidades, para que as respostas sejam reforçadas (“moldagem”).
  3. Reforços vão generalizar, lado a lado, estímulos similares (generalização de estímulo) produzindo condicionamento secundário.

Skinner era determinista. Em sua teoria não havia nenhum espaço para o livre-arbítrio, pois afirmar que os seres humanos são capazes de livre escolha seria negar sua suposição básica de que o comportamento é controlado pelo ambiente e os genes.

Conclusão

Na perspectiva behaviorista, a aprendizagem é um comportamento observável, adquirido de forma mecânica e automática através de estímulos e respostas. Os mecanismos centrais da formação de hábitos são o condicionamento e o reforço como “a satisfação que o indivíduo recebe como resultado de seu desempenho”.

Poderíamos abordar a diferença entre Skinner e Watson dizendo que o behaviorismo radical preocupou-se por demais com as questões sociais, comportamentos de grupos e individuais, agências controladoras, comportamento verbal, enfim, sem Skinner, talvez ainda estaríamos aplicando as práticas do behaviorismo metodológicos, o que, com os avanços actuais da psicologia, seria uma erro agravante para a prática de psicólogos.

 

Bibliografia

  • GRAHAM, G. Behaviorism. In: Stanford Encyclopedia of Philosophy. Disponível em: <http://plato.stanford.edu/entries/behaviorism>, acesso em 02.04.2015.
  • Milhollan, F. e Bill, E. F. Skiner & Rogers: maneiras constrastantes de encarar a educação. São Paulo: Summus. 8º edição, 1978
  • WATSON, J.B. Behaviorism London: Kegan Paul, Trench, Trubner & Co,1930;
  • BOCK, A.M.B. et al. Psicologias. Uma Introdução ao Estudo da Psicologia. São Paulo: Saraiva, 2003.

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Author: O Exame

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