Aspectos Sociais e Psicológicos do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperactividade

 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperactividade: Aspectos Sociais e Psicológicos

Conteúdos disponibilizados por Challine Mendes Marques, Publicado em 06 de Setembro de 2013, na Categoria: Psicologia Escolar 

 

Com a evolução da medicina no mundo e o desenvolvimento de tecnologias, são cada vez mais aperfeiçoados métodos de diagnósticos e tratamentos para as novas doenças que são descobertas. Entretanto, muitos se esquecem de considerar os problemas das crianças e dos adolescentes das comunidades escolares, como é o caso do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperactividade (TDAH).

             Breve Introdução

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por uma constelação de problemas relacionados com falta de atenção, hiperatividade e impulsividade. Esses problemas resultam de um desenvolvimento não adequado e causam dificuldades na vida diária. O TDAH é um distúrbio biopsicossocial, isto é, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos, sociais e vivenciais que contribuem para a intensidade dos problemas experimentados.

 

Foi comprovado que o TDAH atinge 3% a 5% da população durante toda a vida. Diagnóstico precoce e tratamento adequado podem reduzir drasticamente os conflitos familiares, escolares, comportamentais e psicológicos vividos por essas pessoas. Acredita-se que, através de diagnóstico e tratamento correcto, um grande número dos problemas, como repetência escolar e abandono dos estudos, depressão, distúrbios de comportamento, problemas vocacionais e de relacionamento, bem como abuso de drogas, pode ser adequadamente tratado ou, até mesmo, evitado.

*      Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

A hiperatividade e déficit de atenção é um problema mais comumente visto em crianças e se baseia nos sintomas de desatenção (pessoa muito distraída) e hiperactividade (pessoa muito activa, por vezes agitada, bem além do comum). Segundo Mattos (2005, p. 54), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), “é um dos problemas psicológicos mais comuns durante a infância”.

 

O TDAH é um distúrbio neurológico que pode ser de origem genética, e, é a causa mais comum de encaminhamento, para especialistas, de crianças e adolescentes que apresentam prejuízos no seu funcionamento escolar e social.

O TDAH é um transtorno real, um obstáculo real, apesar de não haver nenhum sinal exterior de que algo está errado com o Sistema Nervoso Central.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, também conhecido como Transtorno Hipercinético, está integrado a um grupo de transtornos caracterizados por início precoce (habitualmente durante os cincos anos de vida), falta de perseverança nas actividades que exigem um envolvimento cognitivo e tendência a passar de uma actividade a outra sem concluir nenhuma, associados a uma actividade global desorganizada, incoordenada e excessiva.

Na escola, as crianças é que tendem a ser excluídas ou mal compreendidas, em razão da dificuldade que possuem de lidar com os sintomas do transtorno.

*         Causas

Os estudos mais recentes apontam para a genética como principal causa relacionada ao transtorno. Aproximadamente 75% das chances de alguém desenvolver ou não o TDAH são herdadas dos pais. Além da genética, situações externas como o fumo durante a gestação também parecem estar relacionados com o transtorno. Factores orgânicos como atraso do amadurecimento de determinadas áreas cerebrais, e alterações em alguns de seus circuitos estão actualmente relacionados com o aparecimento dos sintomas. Supõe-se que todos esses factores formam uma predisposição básica (orgânica) do indivíduo para desenvolver o problema, que pode vir a se manifestar quando a pessoa é submetida a um nível maior de exigência de concentração e desempenho. Além disso, a exposição a eventos psicológicos estressantes, como uma perturbação no equilíbrio familiar, ou outros factores geradores de ansiedade, pode agir como desencadeadores dos sintomas.

 

*         Consequências

 

O TDAH interfere na habilidade da pessoa de manter a atenção – especialmente em tarefas repetitiva – de controlar adequadamente as emoções e o nível de actividade, de enfrentar consequências consistentemente e, talvez mais importantes, na habilidade de controle e inibição. Inibição refere-se à capacidade de evitar a expressão de forças poderosas que levam a agir sob o domínio do impulso, de modo a permitir que haja tempo para o autocontrole. As pessoas com TDAH até podem saber o que deve ser feito, mas não conseguem fazer aquilo que sabem devido à inabilidade de realmente poder parar e pensar antes de reagir, não importando o ambiente ou a tarefa.

*         Aspectos sociais e psicológicos

Segundo Cypel (2000), também ressalta que as crianças com TDAH, têm mais facilidade para baixa autoestima, pois o seu amor-próprio é diminuído perante a família, professores e colegas. Só pelo fato de a criança se perceber incapaz de controlar seu comportamento, já é um factor psicológico interior da criança que diminui por si mesma a sua imagem.

As crianças e adolescentes com TDAH, em geral, são instáveis emocionalmente, agindo de forma impulsiva e irritadiça, podendo apresentar dificuldades em participar de actividades em grupo, falhas na produtividade e prejuízos no funcionamento académico e social. A sensação de inadequação, baixa auto-estima e adversidades no grupo social provocam infelicidade e frustração, podendo gerar comportamento autodestrutivos ou auto punitivos.

Estudos demonstram que factores psicossociais, como privação emocional prolongada, eventos psíquicos estressantes ou familiares, abuso ou negligência e múltiplos lares adoptivos, entre outros que induzem à ansiedade, podem estar relacionados ao desenvolvimento do transtorno. Por outro lado, no caso de sintomas já existentes, alguns aspectos familiares – funcionamento familiar caótico, elevada discórdia conjugal, baixa instrução materna, nível socioeconómico familiar inferior e famílias com apenas um dos pais ou abandonadas pelo pai – podem determinar a persistência ou mesmo o agravamento do distúrbio. Agressividade elevada parece também fazer parte das interacções familiares, contribuindo para comportamentos comuns ao TDAH – comportamento agressivo e de oposição desafiantes.

 

*        Diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente neurologista, pediatra ou psiquiatra. O diagnóstico pode ser auxiliado por alguns testes psicológicos ou neuropsicológicos, principalmente em casos duvidosos, como em adultos, mas mesmo em crianças, para o acompanhamento adequado do tratamento.

Sendo assim, o diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla. Não se pode deixar de considerar e avaliar outras causas para o problema, assim, é preciso estar atentos a presença de distúrbios adjuntos. O aspecto mais importante do processo de diagnóstico é um cuidadoso histórico clínico e desenvolvimental. A avaliação do TDAH inclui frequentemente, um levantamento do funcionamento intelectual, académico, social e emocional. O processo de diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que, de alguma maneira, interagem de maneira rotineira com a pessoa avaliada.

 

No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda é o cuidadoso histórico da infância, do desempenho académico, dos problemas comportamentais e profissionais. À medida que aumenta o reconhecimento de que o transtorno é permanente durante a vida da pessoa, os métodos e questionários relacionados com o diagnóstico de um adulto com TDAH estão sendo padronizados e se tornando cada vez mais acessíveis.

*      Intervenção do psicopedagogo diante desta problemática

A Psicopedagogia compromete-se primordialmente com o sistema educativo, relativo às dificuldades de aprendizagem, buscando levar o educando a integrar-se, respeitando sua individualidade.

Cabe à Psicopedagogia trabalhar para que a escola acompanhe o desenvolvimento humano e se continua num verdadeiro espaço de construção do conhecimento. Os problemas de aprendizagem podem ocorrer tanto no início, quanto no decorrer do período escolar e expressam diferenças que variam de aluno para aluno, solicitando uma investigação no campo em que eles se manifestam.

Ressalta-se que a intervenção psicopedagógica é um processo contínuo que necessita do envolvimento colectivo tanto da família quanto da comunidade escolar e dos demais profissionais envolvidos no acompanhamento da criança, por isso, é possível acreditar que a intervenção, além de contribuir para que novas práticas metodológicas sejam desenvolvidas no quotidiano da escola, poderá também oferecer elementos para acções conjuntas destes diversos profissionais.

O Psicopedagogo sabe que sua profissão consiste na construção de saberes, não sendo uma actividade neutra para ambas as partes. Nesta situação, a ajuda entre ambos é mútua, pois as relações de afecto que se estabelece entre psicopedagogo e o educando são necessários ao desenvolvimento da relação educativa. Desta forma, o papel do psicopedagogo deve sempre buscar levar o educando a integrar-se novamente a vida normal, respeitando sua individualidade. Este profissional deve ter conhecimentos multidisciplinares, pois em um processo de avaliação diagnóstica, é necessário estabelecer e interpretar dados em várias áreas, dentre elas: auditiva e visual, motora, intelectual, cognitiva e emocional. É a amplitude destes conhecimentos que permitirá ao psicopedagogo a compreensão do diagnóstico do caso investigado, o que favorecerá a metodologia adequada para o desenvolvimento das suas intervenções psicopedagógicas.

*          Considerações Finais

A falta de conhecimento da família e dos (as) educadores (as) sobre crianças portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são os factores mais preocupantes da actualidade. Cabe a nós reflectirmos sobre a prática do educador com vista a lidar e dar ênfase de que o aluno é o centro do PEA.

Os problemas familiares como alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução dos pais, crianças e adolescentes criadas por apenas um dos pais ou outras pessoas, desestrutura emocional e psicologicamente dos pais ou responsável e nível socioeconómico muito baixo, influenciam no mau comportamento dos jovens, causando menos rendimento na aprendizagem.

Não se deve tirar conclusões precipitadas sem antes encaminhar a criança ou adolescente para avaliações com especialistas no assunto para fazer o diagnóstico.

Referências Bibliográficas:

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO. ABDA: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. WEB, 2005.

MATTOS, Paulo. No Mundo da Lua. 4ª Ed. São Paulo: Editora Lemos, 2005.

ROHDE, Luiz Augusto P. e MATTOS, Paulo. Princípios e Práticas em TDAH. Porto Alegre: Artes Médicas, 2007.

WARNICK, Linda L. O Livro Completo da Psicologia: explore a psique humana e entenda por que fazemos as coisas que fazemos/ Lynda L. Warnick e Lesley Botton; tradução Marcos Malvezzi Lal. – São Paulo: Madras, 2005.

    • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO. ABDA: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. WEB, 2005.
    • BARBOSA, Adriana de Andrade Gaião. Hiperatividade: Conhecendo sua Realidade. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
    • BENCZIK, Edyleine Belline Peroni. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – Atualização Diagnóstica e Terapêutica. Casa do Psicólogo. São Paulo: 4ª edição Ano 2008.
    • CYPEL, Saul. Criança com Déficit de Atenção. Diagnóstico e Terapêutica. São Paulo: Editora Lemos, 2000.
    • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. CID10/Organização Mundial da Saúde; tradução Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português. 8ªed. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000.
    • MATTOS, Paulo. No Mundo da Lua. 4ª Ed. São Paulo: Editora Lemos, 2005.
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Author: O Exame

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